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domingo, 19 de novembro de 2017

O dom




Linearmente, podia dizer-se que o filme fala sobre a relação tio-sobrinha, e os desafios da educação de uma criança sobredotada, mas isso seria tão redutor e superficial.
Na verdade, este filme retrata um amor de irmãos que perdura no tempo após a morte, fala da lealdade de fazer cumprir a infância numa vivência plena, e das inseguranças inerentes ao amor e à preocupação genuína de quem ama. Quem ama de verdade também erra e corre atrás, pede desculpa, e reescreve o futuro outra vez. 
É claro que chorei. Ser tia é para mim uma dádiva e um desafio tão avassalador, que seria impossível não me render a esta esquadria de afinidades. Até há um gato nesta história para ajudar a festa. 
E no fim? A história repete-se, naquele que é o princípio comum a tudo, e no qual acredito acima de qualquer coisa: temos a resposta dentro de nós, só precisamos de não nos perder cá dentro, e confiar no amor. [o caminho mais fácil é o menos percorrido, e ainda assim o mais desafiante e recompensador ]

terça-feira, 3 de março de 2015

tudo ou nada, consegues decidir?

Como um romance, ou a teoria de tudo. Um filme que nos faz sentir uns nada, pequenos nadas. Que nos mostra a magia do amor, da traição do corpo sobre o génio, da derrota garantida que mais não foi do que uma vitória consecutiva, e sem igual.
Um filme que fala do tempo, da história que o tempo faz, da história que o tempo dá. Há pequenos nadas que se sentem que são tudo. São lágrimas de emoção e agradecimento, são sorrisos de admiração e deslumbramento, e são espaços em branco porque, na verdade, este filme não trouxe nada de novo. Afinal quem é que não conhecia a fama da magnificência do  Stephen? Contudo, ver sobrepõe-se ao saber. Ver vem acompanhado pelo impacto que não podemos ignorar. 
Hoje senti-me um nada que tem tudo, e que por maior que seja o cliché em que me embrulho nestas palavras e linhas deste blogue, preciso mesmo é de agradecer.
Agradecer por tudo na minha vida, por vocês desse lado também, agradecer pelos meus sonhos que a cada desilusão ganham raizes para ficar, agradecer pelo amor nas suas mais variadas formas, que sempre tive a sorte de ter na minha vida, e que tantas vezes já fizeram a diferença entre a sanidade e a loucura, entre a lágrima e a gargalhada sem fim. 
Acredito no Amor. De coração, para mim, cada vez mais, ele é a teoria de tudo. Obrigada. 


terça-feira, 7 de outubro de 2014

paixão desde adolescente

O Eça de Queirós foi o primeiro homem cujas palavras me fizeram perder o sono, para não perder palavra nenhuma, como se elas se fossem apagar com as horas. 
Conheci-o pessoalmente, tal como a larga maioria das pessoas com Os Maias, e fiquei rendida, apaixonada, embebecida... enfim. Lembro-me de quase ter feito directa no dia em que o comecei a ler, lembro-me de ser gozada por toda a gente por isso, de querer um João da Ega na minha vida, e de me rir tanto que o meu pai de vez em quando perguntava o que é que eu tinha. Hoje, diriam que era uma nerd, na altura era só uma caixa de óculos bem tótó, como combinava com o figurino. 
Eça, Conde de Resende, mais uma coincidência deliciosa que só fez aumentar o interesse. 
Ora, se o livro fez do Eça o autor Português do meu coração, com direito a receber toda da sua obra como presente da mãe por ter entrado na faculdade, a estreia do filme fez-me saltar do sofá, fugir do sono, do barulho das pipocas e ver o filme. 
E então? O filme faz honrar o livro, dá para acreditar?
Gosto de cinema mas, admito, não sou de todo cinéfila, nem entendida, ou tão pouco dedicada, mas já anteriormente, no filme do desassossego, o João Botelho me tinha feito render ao seu trabalho, obra, sensibilidade, jogo de luz sombra, tudo. Com Os Maias não foi diferente, o filme é como qualquer leitor apaixonado sonha que a sua obra seja tratada: com amor, profundo conhecimento, respeito, poesia e verdade. O filme que não pretendeu ser uma ridícula adaptação do antes ao agora, mas antes uma recriação quase teatral nos cenários, no uso do preto e branco e só depois das cores que nos marca o tempo, do guarda roupa, penteados, coches, tudo. O João Botelho filmou Os Maias quase, quase como eu o imaginei, e por isso estou-lhe profundamente agradecida.  E o João da Ega? Fiel e apaixonante, delicioso e divertidíssimo. 
Se estão na dúvida, o filme vale a pena. Acredito que muitos daqueles que não conseguiram ler o livro vão percebê-lo agora. A sátira do Eça está lá, e a actualidade dela também, porque o tempo passa mas a Portugalidade de que somos feitos não. Portanto, play:


terça-feira, 6 de maio de 2014

a vida é biutiful, é mesmo?



O cliché diz que a vida é bela, e é, mas é também dura e imperfeita e às vezes tão traiçoeira que nos faz questionar tudo. Este filme confronta-nos com uma realidade extremamente dura e acre, que nos deixa a garganta seca e arranhar. Mas é além disso tudo um filme que fala de amor. Sobre como a miséria nos faz repensar o certo e o errado, sobre como é penoso perder uma pessoa que amamos para a doença muito antes de a perdermos para a morte. 
Um filme que fica gravado em flash de fotografia e luz, suspensos numa cidade que não perdoa, que não sabe lembrar, ou cuidar.

flash da perda do amor para a doença
flash de amor que dá (?) razão a tudo
flash de como a miséria pode fazer de nós miseráveis ou execráveis. vitimas ou assassinos
e play:

segunda-feira, 28 de abril de 2014

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

movie time: 12 anos escravo

Um murro no estômago. 
Uma pausa no tempo.
Um arrepio frio, gélido, que interrompe a ligeireza com que se escolhe um filme à Sexta-feira à noite.
Na verdade, o titulo não engana ninguém, foi apenas mais uma escolha minha, sem calcular o impacto. 
E podia resumir-se aqui a (ultrajante) história de um homem livre que é enganado, raptado, a quem privam de tudo, família e liberdade, e o condenam ao estatuto de objecto, por infernais 12 anos, podia, porque a história é mesmo esta. Mas o que mais me marcou foi o poder das memórias felizes que o permitiram sobreviver, que nos permitem a todos, arrisco eu a afirmar, de como a inteligência é uma arma, ou um obstáculo, dependendo se nos deparamos com pessoas medíocres que se sentem, e bem, ameaçadas por ela. 
O que é que o fez resistir? A esperança, a capacidade de trabalho, a solidariedade para com os pares, o saber calar, mas ainda acreditar. Não sei, se o que me fez chorar a mim naquela hora, e custar a adormecer mais tarde, se foram as duras cenas de violência, se foi saber que há uma verdade nesta história, se foi quando ele conseguiu voltar a ter, clandestinamente, papel e caneta, e escrever, ou se foi quando ele perdeu o que o definia como pessoa, a sua música. 
Um filme que recomendo, apesar de duro, porque não nos deixa indiferentes, mexe tudo cá dentro, como só um bom filme sabe fazer.No fim do filme, quando sentimos e sabemos que há um pouco do filme que fica connosco, que vamos recordar, sabemos que foi um bom filme, não apesar das lágrimas, mas por elas.

p.s: tenho que dizer que os cenários, a caracterização soberba de todas as atrozes cicatrizes, e o desempenho dos actores ainda agora, que fecho os olhos e recordo, me arrepiam a pele.

domingo, 26 de janeiro de 2014

movie time - porque sonhar é seguro


Janeiro é por tradição meteorológica um mês de frio que convida à reclusão, cá em casa não tem sido diferente. E além do mais, os Óscares estão já ai, é preciso mantermo-nos actualizadas, porque até para quem gosta de vestidos, não é assistir toda a cerimónia sem conhecer que filmes estão a concurso. 
Por isso, e porque um filme é a arte de nos levar a uma outra realidade, de nos fazer viajar, de nos por noutro lugar, e noutra pele, mas principalmente porque conta uma história e às vezes faz sonhar, carreguem no play comigo.
O lobito é um jovem ambicioso e sonhador, que tinha o dom de liderar e motivar. Inspirava todos à sua volta, levando-os aonde ele queria, fosse a comprar ou a vender. Mas o lobito que não queria dizer que não, nem ouvir um não, e perdeu-se no excesso de ambição, de drogas, de sexo, de luxúria, foi traído pela sua excessiva confiança, e perdeu tudo. No final, mesmo sem as coisas, que para ele antes eram tudo, ele não é um vencido, contrariando o final de boa moral que seria de esperar. 
Talvez por isso este seja um filme sobre o qual toda a gente fala. Não, não é só pela boa forma física do Leo, ou do seu eterno ar de miúdo, eu tenho para mim que este filme tem o potencial de nos fazer acreditar nos nossos sonhos, e que mesmo que eles mudem, ou não durem para sempre, a vida continua com a sua magia. E por isso este é um filme que nos faz sentir, não a necessidade de comprar uma caneta, mas a necessidade de manter o sonho vivo aqui dentro, e ir ao cinema. 
Mas atenção, é um filme que pode tirar o sono!!!

domingo, 17 de novembro de 2013

and pause...: movie time!

Esta ausência do blog tem um culpado, o tempo! 
Entre o trabalho e os trabalhos, o gym, o sono leva a a melhor de mim. Nestes dias, o truque, foi fazer pause, e deixar-me levar depois do play, e em três takes, de movie time. Vamos lá!

TAKE I: Last days on Mars


Eu devia ter dito que não, devia, mas não disse! Não foi pela inferioridade numérica, muito menos a de género, mas a mistura de ficção científica e naves espaciais, regadas por sangue e um final que fica em suspenso, deixaram marcas na minha memória. Eu tive medo, e não foi bom, vão por mim, não vai valer a pena!

TAKE II: Monsters University


A Disney não desilude: obrigada! Uns monstros mais feinhos que outros, mas uma boa história, sem sustos, com tudo a que a animação tem direito, e nós também! Vale a pena ver e não esquecer que não há nada que nos impeça de chegar onde é o nosso lugar. Sonhar vale a pena, só é mesmo preciso acreditar.

TAKE III: O Mordomo


Há filmes que nos fazem render, que nos fazem pensar como é que isto foi possível?, e há filmes nos fazem lembrar a magia do cinema. Decidi-me pelo Mordomo, só porque o Rodrigo Leão do meu coração é o responsável pela banda sonora que nos faz render, mas o filme superou-me. 
Podemos falar do elenco, e dos cenários, da caracterização de época, em tudo, desde o guarda roupa, às casas, mas este é um filme que não permite que esqueçamos as atrocidades que os homens já fizeram, uns contra os outros, só porque alguns de nós são brancos e outros negros. Há imagens reais que passam no filme, e relatos de acontecimentos verídicos que me parecem irreais. Irreal pode ser bom, porque estamos já tão distantes daquela mentalidade racista, mas por outro lado, o irreal é também perigoso, porque nos deixa quase esquecer do quanto os Homens sabem ser macabros, uns para os outros, uns contra os outros. 
Vale a pena por tudo, mas no fim, não esperem ficar indiferentes, vai fazer mexer tudo aí dentro.E por isso, mas não só, valeu mesmo a pena!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

é uma casa portuguesa, com toda a certeza


No movie time de hoje falo da gaiola dourada, o filme português feito por um meio português, e que levou tanta, tanta gente ao cinema. Quem foi inspirou sempre mais alguém a ir, eu nao escapei a esta onda dominó.
A gaiola dourada, metáfora da vida que não é de ouro, mas que nós douramos, e onde nos prendem às vezes, mas na maiora delas, onde nós que nos mantemos cativos.
Quem viu o filme sabe que retrata os portugueses, reconhecemo-nos lá, identificamos um familiar, um amigo, uma expressão da rua, tudo, estamos ali.
Quando a filha do casal, sem nunca ter conhecido Portugal, chora aos acordes da guitara portuguesa, eu soube que ela ia voltar para a terra dela, porque são também portugueses aqueles que nascem fora de portas. Há uma melodia que toca cá dentro, um portuguesismo de tradições que nos une, que não é só, mas também o são, o bacalhau, as sardinhas, o copo de vinho, a camaradagem, a humildade, mas sobretudo esta enorme capacidade de nos rir-nos de nós próprios sem vergonhas. Gosto disso, da inteligência que partilhamos, e que só por isso nos permite saber rir do nosso umbigo colectivo.
Depois disto, todos os cliches portugueses estão gastos! E valem cada gargalhada que o filme nos proporciona. 
Não hesitem, vai valer a pena!

terça-feira, 11 de junho de 2013

o que é doce, nunca amargou? Sugar Man


Quase só me apetece dizer que têm que assistir ao documentário para ver para crer. Será que falo no talento? Será que falo nas letras que ficam em loop a tocar sozinhas na minha cabeça, I Wonder ? Será que é a magia da música que não tem limites, para a qual não existem barreiras, nem marés? Será que o que marca ainda mais é a crua humildade dele, ou a doçura de bicho da seda. Não sei. Não sei mesmo.
Mas, definitivamente, é de se lhe tirar o chapéu, porque nos tira o tapete.
A ver, a ouvir :

quinta-feira, 21 de março de 2013

o fantas foi delicioso, e foi assim

Foi numa correria que cheguei ao Fantas, mas valeu muita a pena!
Descobri que a noite era de encerramento de festival e a entrega de prémios foi tão à Portuguesa! Foi looonga a noite! Entre celebrações/discursos exaltados da equipa do festival, homenagem ao querido Nélinho (Manuel de Oliveira, também presente nesta noite), e a entrega de prémios, pusémos a conversa em dia, enfurecendo simultâneamente os vizinhos das filas da frente e de trás, que em vão tentaram estar sempre sérios e atentos. Mas eis que começa o filme! Foi inevitável render-me a este humor futurista, mecânico, humano, enternecedor, entre o Frank e o seu Robô.
Acho que já lá vão mais de 10 anos desde que fui ao fantas pela primeira vez com o meu querido H., mas há hábitos bons que perduram no tempo, que fazem parte de nós, que levamos também para a vida de outras pessoas que nos são queridas, e hábitos nossos que são tradições desta cidade maravilhosa que é o PORTO! Portanto, para o ano o cinema fantástico pode contar comigo, juntem-se a nós, não se vão arrepender!!!!
 

 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Factory Girl

É a História de uma menina rebelde, que vira musa de Andy, que vira super estrela e termina em estrela cadente.
A menina que não tem medo de arriscar, vestir como nunca ninguém tinha vestido, maquilhar-se ousadamente, usando sem abusar das peles, dos acessórios XXL, e se for verdade o retratado no filme, o estilo dela pode ser encontrado e reconhecido, entre nós hoje em dia. É um mundo cliche, e cor de rosa.
Podemos falar da ascenção e da queda, do luxo, da luxúria, da pobreza e da miséria desta factory girl, que parece ter nascido num berço de ouro, mas que, afinal, é de mentira. Podemos falar da fuga contínua de si mesma, das suas memórias, dos seus tormentos, da sua solidão, tanto no pódio como na lama. E não estaria errado.
Esta é a história de como mentes geniais, perturbadas, ambiciosas, se podem reconhecer, idolatrar, e anular, porque, se o Andy adorou e explorou até para lá dos limites a sua musa, ela também se pendurou no universo dele, sem salvaguardar o seu. E depois claro, há a escumalha, os oportunistas, e há a droga, e o sexo, e o vazio.
Um filme que surpreende, que se estranha, que revolta, mas que no fim fica connosco, porque alguma coisa desta ficção foi verdade, e será ainda a realidade de alguém. Mundos paralelos que deixam muitas questões e reticências...
 



terça-feira, 29 de janeiro de 2013

selvagens Vs final feliz

Penso que, em alguma parte de nós, mais escondida ou mais assumida, todos queremos ou já quisemos viver ousadamente, sem regras, ou contra as regras, fieis apenas à vontade própria. Mas também, quem é que aqui não quer muito um final feliz (desde que seja final e feliz enquando der)?
Os selvagens têm um encanto, representam um desafio, mas os finais felizes dão-nos razões para acreditar. Escolham vocês, porque para mim, não podemos abrir mão de viver a aventura e procurar o nosso final feliz, só é preciso ter coragem, coragem de acreditar.