segunda-feira, 19 de outubro de 2015

fim de semana kinder surpresa

Este fim de semana foi mágico, inspirador, reparador, o mais especial de sempre. 
Foi a prova de que dar é o melhor presente que podemos receber. 
Amanhã conto tudo, mas começou assim....


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

do lixo com amor



Chamavas-te Tuca. Com o tempo foste ficando Tuquinha, Tuquita, Kika, Kikinha, Kikita. Tantos nomes que nunca geraram confusão para nós, só transpareceram amor, sempre. 
Há 11 anos atrás estavas no lixo aqui ao lado de casa, e eras um saco preto de carraças. Já resgatamos muitos cães, mas nunca um cão tão pequeno com quase mais carraças do que pêlo. Recordo, nesta minha memória cuja lógica ainda não entendo, de a veterinária ter dito que podia ter morrido com o banho da loção mata carraças. Banho não, banhos, foram quatro, também me lembro disso. De como ficavas a chorar e a tremer quando o produto actuava, e de como não paravam de cair carraças mortas na banheira, banho após banho. Lembro-me de como eras pequenina, faminta, meiga e super assustada. Cresceste, mas nunca deixaste de ser assustada, nem faminta, nem meiga, nunca. Kikita a rapa tachos, Kikita a papa arroz, Kikita a obediente, Kikita das corridas. 
Sei que nunca mais ninguém vai chorar de alegria por nos ver como tu fazias sempre, genuinamente, nem ninguém vai adorar torrões de arroz como tu. Quem é que vai ousar pousar o focinho no colo do meu pai, à espera de um mimo de trincar? Tu, eras aquela a quem ninguém queria dar banho, porque ficavas tão sentida, que às vezes chegavam a passar-se dias sem que nos deixasses de novo tocar em ti. Quem é que com aquele ar de sonsa fugia de casa, para regressar horas depois, com penas das galinhas do vizinho na boca? Quantas vezes te ralhamos e te prendemos de castigo, mas acabavas sempre por ser reincidente. 
Faz uma semana que, ainda não sei como, ficámos sem ti.  Hoje no treino corri, não sei se de ti, se para ti, se contigo. Mas às tantas, só me conseguia lembrar de que nunca mais iria poder chamar-te para uma corrida comigo, ou um simples passeio pela quinta. Gostava sempre de pensar que nisso éramos parecidas, éramos felizes a correr. Gostava disso, de sermos parecidas, porque para mim, e para nós, sempre foste família. 
Para nós, as casas só são lares com famílias lá dentro, e as famílias são aquelas feitas de pessoas e animais. Trazer-te do lixo foi das melhores decisões que podíamos ter tomado nos últimos anos, porque foste a cadela mais companheira de sempre e a mais atenta a nós. Foi tudo tão depressa para toda a falta que nos vais fazer. Foi tão difícil superar a ausência da Pepa no ano passado, que não sei como é que, em tão pouco tempo, de cinco cães felizes, traquinas e mimados, só temos três. 
Chegaram a ser quase 30kg de Kika, com andar à pato, mas nem por isso menos disposta e capaz de correr, numa fuga para as galinhas, ou ao nosso encontro. No vazio que sobra da tua ausência, quero lembrar sempre a alegria de nos teres ao teu lado, porque tu é que vieste do lixo, mas a sorte e o lucro foi todo nosso. 


domingo, 20 de setembro de 2015

21km a correr para acreditar

A dois dias da Meia Maratona do Porto fui desafiada, e aliciada com um dorsal, a correr a prova. E fui. Mas foi tão inesperado que houve até quem tenha dito "agora a sério, quem vai correr a prova Domingo que lavante a mão" e eu lá mantive a minha mão temerosa levantada. Sem ressentimentos PS, eu própria estava repleta de surpresa e reticências.
Fazer esta prova só fez sentido por ser um pedido da minha parceira de corrida, que é aquela pessoa que corre ao meu lado, e tantas vezes é a lebre, que me desafia e mantém a motivação, mesmo naqueles dias em que não apetece nada treinar. Começamos por ser parceiras de corrida por mero acaso e hoje em dia posso dizer que foi um acaso muito feliz e que acarinho muito.
Mas, com eu ia a dizer, não gosto nada da Meia Maratona do Porto, porque é em Setembro e está calor, e eu odeio correr com calor, porque o percurso é muito repetitivo, só a marginal do Freixo corre-se três vezes, o que em termos motivacionais para mim não resulta, além de ter que estar a gerir o esforço, e as eventuais dorzinhas que gostam sempre de dar o ar da sua graça nestes dias, passo a prova toda a pensar que ainda vou voltar para trás e voltar, enfim, não gosto mesmo nada. Mas fui.
Fui e comecei bem devagarinho, para me certificar que tinha pernas até ao fim. Algures entre os 11 e 15 km foi muito bom porque percebi que ia terminar, daqui para a frente uma bolha num pé e uma dor no tornozelo do outro pé quiseram acompanhar-me até à meta e já não foi assim tão feliz.
Aos 20 km voltou a alegria, e já não quis saber das dores, cheínha de fome, começo a correr o mais rápido que o meu estômago colado às costas deixa, até às 2h17min. Podem achar que é muito tempo, e foi, as minhas perninhas que o digam agora, mas uma coisa é certa, valeu todo o esforço. Valeu a pena tentar, e valer a pena arriscar, porque na corrida, como em tudo na vida, o é importante ter os parceiros certos do nosso lado, mas acima de tudo, dar o litro e acreditar.
Obrigado parceirinha!

Foi assim que tudo começou, com o charmoso do Thor a dar-nos força
aos 13km a minha cara diz "acredito!"
No final não poderia estar mais feliz por o ter(mos) conseguido. Na próxima MM prometo
que treinamos para não custar tanto.

O percurso está aqui, foi devagar mas foi non stop: Garmin Connect

terça-feira, 15 de setembro de 2015

alma gémea, o regresso

Regresso a ti, e tu regressas ao mar salgado. Talvez este regresso seja uma separação, ou subtraindo o dramatismo, seja simplesmente um caminho diferente, mas não necessariamente divergente. 
A verdade é que a geografia nos trai, separando-nos, mas nos une, nesta distância que teima em se manter entre nós. Quanto mais longe, e quanto maior é o tempo que nos mantemos afastadas uma da outra, mais eu regresso a ti, meu cliché, porque, cá dentro, deste casulo que exteriorizo, em catarse, sinto-me somente eu. E quem além de ti, alma gémea, me faz sentir tão segura e tão certa de mim? Reúnes o bem e o mal, e adoro-te quase sempre, embora às vezes me enfureças com o teu síndrome de astro.  
Sei que tenho sorte, e sinto sempre necessidade de o manifestar. Tenho sorte por te ter na minha vida, por o nosso amor maior nos ter ensinado o Amor, por estarmos sempre disponíveis, e prontas, a tirar o tapete uma à outra, e a reunir os cacos logo de seguida. 
Estás sempre a reclamar o meu regresso a este cliché, de tal forma, que foram várias as ameaças a que me vi sujeita. Por variados motivos não podemos discutir aqui a legalidade desse teu método. Contra todas as expectativas, agradeço-te por isso, porque ter-te-ei já agradecido, vezes sem conta, por tudo o mais que haverá a agradecer. 
Sinto que, de cada vez que voltas e partes, és cada vez mais minha, e somos cada vez mais uma só. Como se a distância nos beneficiasse com a clarividência de sentir, e saber, sem palavras ou olhares. Batemos os olhos uma na outra só para confirmar, e as palavras estranhamente dizem apenas o que sabíamos de antemão. 
Sei que és diferente, que és maior, que a adversidade passa por ti, não sem custo, mas sem hipótese de espalhar o medo. E quem diria, que serias tu a ganhar ao medo? O gritinho que não ouvi, mas sabia que tinhas dado naquele salto da lagoa escura, as lágrimas que não posso ver mas sei que as estás a chorar... minha irmã, minha alma gémea. 
Que as palavras unam a distância, que a distância dissolva as fraquezas, que o tempo dissipe a adversidade, porque a falta que me fazes só não é maior do que o nosso amor, e um dia só vamos lembrar a magia de cada regresso, e o brilho no olhar. 


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

fomos a banhos, mas já voltamos: Menorca (II)

Em Menorca além das praias, que vou já falar, recomendo uma visita a Ciutadella e Maó.  São cidades pequeninas mas bem charmosas, com um centro histórico bonito e muitas lojinhas onde se encontrarem (eu tenho esta forma pouco saudável, diz a minha carteira, de me sentir inteira dentro de lojas cheias de roupa e recuerdos). A não perder é também o por-do-sol em Cap Cavalleria e, claro, comer peixinho fresco em qualquer pequeno porto que encontrem. 
As praias chamam-se Calas e tentei ir a tantas quanto consegui, mas eram todas tão lindas que foi difícil escolher. O meu guia classificava as praias em: para famílias, para caminhadores, para casais e para nudistas. O meu primeiro critério de escolha era simplesmente a foto mais apelativa, e depois excluía as de nudistas. Eu até não tenho nada contra, mesmo, o nudismo e o topless, mas cá entre nós, eu já vejo todo o tipo de misérias dessas no meu trabalho todo o ano, nas férias, dispenso bem. Contudo, descobri ao longo dos dias que não faz muita diferença o tipo de praias que escolham, porque não vão escapar aos nudistas, que, sozinhos, em casal ou em família desfilam pelas praias. Nas ilhas espanholas todas as praias são de nudismo, preparem-se.
Ao ler a descrição de "como chegar" muitas foram as vezes em que desisti e exclui praias por distarem 3 ou 4 km a pé da estrada (o limite que estabeleci foram 2km) ou recomendarem levar para o percurso 3L água/pessoa. Ora bem, com temperaturas entre os 30º a 35º achei que não aguentava. Mas para quem for a Menorca com menos calor são decerto praias a não perder.
No geral, recomendo as praias do sul porque o turquesa é mais apelativo, mas não deixem de visitar o norte porque tem muito charme. 
As praias que visitei  a norte foram as seguintes: Cala Blanes, Cala Morell, Cala Algaiarens, Plajta de Binimel-là, Plajta de Cavalleria. 
Rumando a sul as escolhidas foram: Cala Blanca, Cala Bosc, Plajita de Son Xoriguer, Cala Turqueta, Cala Galdana, Cala Mitjana, Plajta Binigaus, Plagta Sant Tomàs, Cala Sa Mesquida e Es Grau. 

As fotos (acreditem, para tristeza minha, ficaram quase todas péssimas, e não traduzem, de todo, a beleza da ilha):

Cala Galdana no final do dia, sem sol, mas com muito calor, e a aproveitar a praia até à última

Platja de Cavalleria, num dia muito nublado mas com 33º
Quando cheguei à praia estava bandeira verde, entretanto tive um encontro imediato
 muito pouco feliz com uma medusa, e apeteceu-me logo conhecer outras praias.
Ao ir embora já tinham mudado a bandeira. Cuidadinho!

As minhas fotos não fazem jus às praias, mesmo, e apesar de estas águas estarem apinhadas de medusas...
ainda pensei duas vezes se me apetecia ir embora ou não, mas com aquele calor tinha
mesmo que ir para uma praia em que pudesse dedicar-me aos mergulhos
Platja de Binimel-là - bem sei que não mostro a praia, mas o melhor foi mesmo ao fim do dia ver o passeio dos cavalos. Menorca é conhecida também pelos seus Cami de Cavalls que são rotas de percorrem o perímetro de toda a ilha, e onde, antigamente se fazia o patrulhamento da ilha, a cavalo claro. 
Cap Cavalleria - tem a fama de ter o por-do-sol mais bonito da ilha,
mesmo com nuvens, a mim, convenceu-me. Eu fui directa da praia, mas lá, enquanto
aguardava vi que as pessoas se faziam acompanhar de cerveja e comida.
 Fica a dica, porque valeu mesmo a pena esperar pelo sol e porque na verdade estava faminta. 
Ainda em Cap Cavalleria, apenas eu, a brincar com o vento, naquela estrada
que parecia não ter um fim, mas que nos conduziu até ao mar.
Platja Binigaus - esta foi a praia em que mais tempo me perdi a ver pedras e peixinhos com
aqueles óculos de mergulho e o respirador que nos fazem parecer uns ET´s, mas que são uma forma 
maravilhosa de conhecer as praias de outra forma e aproveitar o mar, muito para lá dos mergulhos, 
O único peixinho que vi e sei dizer quem era foi uma raia, mas atendendo ao meu anterior encontro 
com a medusa achei por bem dar-lhe espaço.
Plataja de Sant Tomàs - já no regresso, encontramos novamente
os cavalos e desta vez tive que parar, adoro! Estava lá um rapazito a dar-lhes comida
e um montão de turistas pasmados como eu. Mas eu, às vezes sou uma descarada,
pedi-lhe para partilhar comigo a comida do cavalo,e ele deu, foi um queridinho. 
Esteva a dar-lhe alhos, isso mesmo, e o cavalo não se fez nada de rogado, comeu tudo!

Cala Mitjana - onde foi feito o catálogo da Canté asseguro-vos porque a minha memória
 é muito boa para estas coisas que não lembram ao menino Jesus - e onde senti que estava mesmo no
paraíso ao aparecer este senhor a empurrar esta carreta, 
e em 3,2,1, partir e servir coco, ananás e melancia. 

não sei se o que me surpreendeu mais foi ele ter lá chegado com aquela fruta
 toda, porque os acessos a esta praia não são nada fáceis nem curtos

ou a velocidade (devia ter filmado) com que ele fazia isto. Mesmo bom, bom, bom.

Cala Bosc

Cala Sa Mesquida - com a mão no chapéu porque
 o vento já me tinha tentado levá-lo.
Depois da praia fomos almoçar a Cap Roig e eu escolhi linguado que
estavam assim de bonitos mas muito mais de saborosos.
Cap d´Artrux - um pequeno porto e marina que descobri e adorei.
 Quanto a mim este foi o melhor bar onde já fui nos últimos tempos, a não perder, mesmo.

O melhor recanto do nosso hotel, delicioso nestes tons pasteis.

Cala Blanca, a praia ao lado do hotel, e que de manhã foi assim, minha.

Em Cala Blanca os bares distam três degraus do mar, e à noite, com o calor,
aquele limbo seduziu-me muitas vezes. 

Como me desleixei imenso acabei por não fazer nada do que tinha pensado, mas se puderem façam um passeio de snorkeling, e se forem com tempo um de mergulho. Visitem o parque natural de Es Grau, façam o passeio de barco pelo porto de Maò, visitem as Covas den Xaroi, façam um passeio a cavalo ou de jeep. Por todos estes motivos, e porque gostei mesmo muito, Menorca, um dia, vou voltar para ti. 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

fomos a banhos, mas já voltamos: Menorca (I)

O cliché foi de férias em Julho, mas já voltou. Este ano o destino escolhido foi Menorca. Escolhi Menorca por vários motivos, o primeiro foi mesmo por ser perto e uma vez que ia uma semana para fora não queria gastar muitas horas em viagem, são só duas as horas que nos separam daquele paraíso. Depois porque há uns anos tinham-me mostrado fotos das praias Menorquinas e nunca as esqueci. Por último, porque este ano me apetecia mesmo muito um destino de muito calor, muito mar, muitos mergulhos e pés na areia. E assim foi. 
Optei por um pack de agência de viagem de voo+hotel+carro, mas é aqui tão perto que, quem quiser, pode sem dificuldade nenhuma, marcar tudo sozinho, os preços esses é que nesta altura do ano não variam muito. 
Resumidamente, Menorca fica ali mesmo ao lado de Maiorca, mas por ser uma reserva natural o boom turístico foi travado atempadamente. Por este motivo, Menorca tem hoje, quanto a mim, o melhor da beleza natural, sem atropelos. Como o próprio nome indica, é uma ilha pequena, de praias avermelhadas a norte e de areia clara a sul. O Mediterrâneo não desilude, só encanta, nos seus mil tons de azul. 

O roteiro:
foi mais ou menos isto (sou muito dotada no Paint, entenda-se)
Na chegada ao aeroporto a primeira coisa que fiz foi comprar um guia, cá tentei em várias livrarias, mas não consegui encontrar. Essencial é comprar um mapa, um guia e alugar um carro. Como estamos em Espanha já se sabe que o inglês não é o forte deles, e portanto, ao levantar o carro, se vos quiserem dar um coche, aceitem e resistam à tentação, eu consegui, de os desorientar e dizer que o tempo dos coches já se foi, ou que não têm carta disso, ou que com 35º não prescindem do ar condicionado. Íamos ter um Fiat não sei quê, o mais barato, e saiu-nos um Seat León. Nesta altura esteve quase para me sair boca fora, que eu não queria ir com o Seat para León coisa nenhuma, mas o senhor lá continuava a fazer rabiscos no meu papel da reserva, para se fazer entender, e mais uma vez guardei para mim a piada, até hoje, é fraquinha eu sei, mas afeiçoei-me a ela. O carro que escolherem, ou é um todo terreno ou tanto faz, porque afinal não deixam acelerar em estrada nenhuma, mas para coche gostei muito do trote deste. Foram 670km numa semana, e os cavalos não se ressentiram. Fim da piada, fotos amanhã. 


terça-feira, 7 de julho de 2015

a mente é divertida?

Um filme de miúdos que todos os graúdos deveriam ver.
Que nos faz rir, que nos faz pensar, que nos faz (a mim fez) lembrar como foi ser criança e crescer, mas também que nos faz reflectir.
Procuramos tantas vezes a alegria imediata, quere-mo-la como certa na nossa vida, mas este filme mostra como em tantas situações a tristeza é um caminho para a alegria. Sem conformismos, claro, mas, quantas vezes perder, foi o nosso maior ganho no futuro? Um filme bem temperado com tudo aquilo que faz da vida o melhor tempero, os nossos sentimentos.