M - na antena 3
Os domingos à tarde não seriam a mesma coisa sem o M, adoro, inspira-me, identifico-me.
Deixa-me tão nostalgica porque quando oiço quase sempre é no regresso da casinha dos papás, para a minha querida casinha! No verão levo-o para a praia. O M acompanha-me há muito, e sabe mesmo bem!
Quem corre por gosto foi correr a prova no domingo porque quando se compromete, aparece, não por gostar de correr à chuva.
Euzinha não gostei nada da prova: da mudança de percurso, do percurso novo porque era só meio percurso, dávamos duas voltinhas, tipo recreio. Não gostei da partida com A's e B's todos misturados. É claro que depois, os A's me acotovelaram.
Foram 10km em que não parou de chover, mesmo. É certo que não apanhei frio, mas fiquei molhada, tanto! As minha queridas sapatilhas pirilampo faziam splash. Corri com kgs de água a mais na minha roupa, e não precisava nada disso.
Cruzei a meta com medo de cair, e nem vi o relógio. E mal encontro a primeira cara conhecida perguntam-me: que tempo fizeste?...ahhh...56 minutos, vi depois em casa, e pensei, se corresse mais rápido também apanhava menos chuva :) E depois pensei, o meu professor não vai gostar nada deste tempo, e não gostou, mas também não comentou, nem foi preciso, a cara dele traiu-o, mas eu fiz de conta que não vi :)
Enfim, quem corre por gosto quer acreditar que hoje não se vai repetir a chuvada de domingo, é que hoje também é dia de correr!
Não há muito mais a dizer! Esta série foi descoberta por mim, por mero acaso, quando as minhas series de estimação estavam em hiato, e eu precisava de me entreter :) e continuar a ter pretexto para fazer pipocas!
Este livro morou na minha mesinha de cabeçeira muito tempo, talvez até demasiado. Começou por estar em lista de espera, mas nos longos 4 meses que demorei a lê-lo, foi atropelado por outros, que se impuseram! Mas não desisti dele, não gosto de desistir dos meus livros, nem que seja para reclamar deles no fim. O que não é o caso.
O falador é o terceiro livro do Mario Vargas Llosa que leio (o primeiro foi "O paraíso na outra esquina", seguido pelo " A festa do chibo"), e o terceiro que me deixa rendida. Vou ser redundantemente cliché e catalogar: adoro os autores sul americanos. Adoro o universo deles tão exótico, místico, tropical e que me faz sempre viajar.
O falador retrata uma história que na Europa seria inverosímel, mas que, na mágica floresta amazónica é tão real. Podia dizer que, neste livro, o meu querido Llosa fez do narrador a personagem principal, que retrata a dualidade do passado/presente, os universos cidade/selva. E seria verdade. Mas para mim é mais.
Este livro apresenta-nos uma personagem que é A entidade/identidade machiguenga. Fala-nos desta tribo, dos rituais, da lingua, das rotinas. Mas mostra-nos que aquilo que nos é tão estranho, aqueles que nos parecem tão diferentes, são no fundo, no fundo, tão iguais. Há uma tribo na floresta peruana que é tão paralela ao povo judeu. Nas crenças, no enraizamento das suas tradições, na inabalável fé, na diáspora como modo de vida.
E, afinal, quem é o falador? O falador é a memória de um povo e de uma cultura, o falador é o entretenimento de uma tribo, é o elo que une todas as famílias separadas pela diáspora. O falador é a alma deles, o guia, o que os torna únicos, o que os torna unidos. E a história conta como uma pessoa pode nascer e crescer no seio de uma determinada cultura social e religiosa e, na idade adulta, descobrir, no fundo da alma, que se é outro, que é novo, que é velho, que aprende, que tudo sabe. O falador fala de como nada é garantido, de como, um pormenor, numa conversa na selva numa noite tropical, pode alimentar a curiosidade de uma pessoa por toda a sua vida. O falador fala de como todos somos diferentes e iguais, na mesma proporção, de como um dia podemos mesmo encontrar-nos connosco e sermos outro. E sermos mais felizes assim, garantidamente.